O mundo mudou, dizem os gurus

18 de agosto de 2020

O mundo nunca mais será o mesmo depois da COVID-19! Não voltaremos ao normal, pois haverá um novo normal! As pessoas não vão querer mais ter aulas do jeito que tinham! O teletrabalho veio para ficar!

Já ouviram essas frases recentemente? Pois então, quero lhes contar uma história da minha ainda curta passagem por este plano.

Hoje, quando olho para trás, consigo perceber de fato o quanto mudamos. Olhar para trás é como se eu pegasse uma fotografia nossa tirada há 10 ou 20 anos. Apesar de achar que nada mudou, ao me ver na fotografia antiga é que percebo as grandes mudanças em minha face.

Outro dia, em uma pequena reflexão, me lembrei de algumas coisas que já fiz: já escrevi cartas à mão para minha esposa quando namorávamos; assinei requisições de talão para pegar cheque no banco; aluguei filmes em fita VHS na locadora (e ai de quem se esquecia de entregar a fita rebobinada); já tive que correr para abastecer o carro no sábado às 19:50, pois o posto não abria aos domingos; perdi encontros com meus amigos porque não tinha um celular para me localizarem; enfrentei fila de banco para pagar contas no caixa; consultei as páginas amarelas do catálogo telefônico para comprar algum produto ou serviço; já tive dicionário inglês-português, agenda eletrônica onde guardava todos os meus 50 e poucos número de telefone fixo. Minha nossa! Acabei de olhar a minha agenda aqui e certamente tenho mais de 1.000 números.

Outro dia, Luísa, minha filha de 8 anos me disse que gostaria de terminar de ver o seu desenho predileto para então poder fazer a sua tarefa. Rapidamente eu disse a ela: “- você pode pausar e voltar assistir depois”. Puxa vida! Quantos desenhos eu vi pela metade por não ter este recurso!

Meu primeiro emprego com carteira assinada foi aos 18 como encarregado de transportes, e lá estava eu, decorando o mapa de Belo Horizonte para saber onde ficavam os principais fornecedores de peças. Hoje, o Waze poupa o nosso tempo e nos dá de bandeja o melhor trajeto.

E quantas vezes queríamos ir à Guarapari (que ficava 500 km de minha terra natal), destino de férias de nós, mineiros, passar longos 4 dias de férias, e, para isso, pedíamos emprestado a da casa de alguém ou nos aventurávamos numa procura sem fim para saber quem tinha casa na praia para alugar. 

Saber a opinião de quem comprou um determinado produto ou serviço, para decidir se compramos ou não? Muito difícil! Hoje, “damos um google” e lá vem uma avalanche de opiniões. Ah, e quem aí já ficou esperando o caderno de veículos do jornal Estado de Minas para passar uma manhã de domingo procurando uma boa oportunidade de comprar um bom veículo, levanta a mão.

É, o mundo mudou mesmo, e, pelo visto, continuará mudando! Por outro lado, já vi calça “Boca de Sino” entrar e sair de moda umas 4 vezes. O jeans já foi cintura alta, baixa e agora é alta de novo! 

Tive notícias de terem decretado o fim do rádio com o nascimento da TV e de gurus decretarem o fim da TV com o nascimento da internet. Vejo agora outros decretos: o fim da escola por causa do ensino à distância, sob a alcunha do “tudo mudou” ou do “nunca mais será como antes”. 

Em outra direção, vi, e continuo vendo, pessoas largarem os grandes centros para viver no interior ou no campo e pessoas saindo do interior ou do campo, para viver em grandes centros.

Em minha visão, algumas coisas não vão acabar por completo, mas irão se transformar. Irão se adaptar para coexistirem! A máquina de escrever se transformou num teclado com uma tela, mas a necessidade de escrever com uma letra legível e seguindo um padrão de pontuação e espaçamento ainda continua. O e-mail, substituiu a carta, embora hoje a carta tenha ganhado o status de exclusividade, do fora do comum. 

E é isso mesmo: “tudo muda o tempo todo, no mundo”, já dizia Lulu Santos! É claro que certas mudanças impactam mais que as outras. Umas são mais lentas e nos dão mais tempo de aceitá-las, outras, chegam de forma avassaladora, como um tsunami, sem pedir licença e mudando todo o cenário em seu caminho.

Importante dizer: o muro de Berlim não caiu na passagem do dia 9 para o dia 10 de novembro de 1989. Antes que o muro de concreto caísse, ele teve de cair antes na cabeça e no coração das pessoas.

NÃO! Este texto não é para criticar os novos gurus que estão nos dizendo que o mundo mudou e que haverá um novo normal, e sim, para abrir os seus olhos e mostrar que você, eu e todos os outros sempre fizemos parte disso e que, talvez, por estarmos tão dentro, não estamos vendo que não tem nada de novo aí fora. É APENAS A MUDANÇA FAZENDO O SEU TRABALHO DESDE QUE O MUNDO É O MUNDO.

Desde que o mundo é o mundo sempre surgirão novas ideias para velhos ideais! Afinal, mudamos tanto para perseguir coisas que até temos ou já existem, mas que não conseguimos ver no agora. Talvez seja por isso que acreditamos tanto que foi nossa infância que foi boa e não a dos nossos filhos.

SIM! Este texto é para convidar você a ver a beleza da mudança! Incerta, cíclica, rebelde, angustiosa, fervorosa, raivosa e deliciosa! Para ela não existe o permanente e nem o previsível. Enfrentá-la? Só de 2 jeitos: sendo agente da mudança ou o sujeito a ser impactado por ela. Aqui está uma verdade “nua e crua”: de um jeito ou de outro, a escolha sempre será sua!

Grande abraço, cuidem-se e bom fim de semana a todos!