Blog

Gestores públicos empreendedores

* Por Marcos Fábio Gomes Ferreira

Em um cenário de puro desgaste da imagem do homem público, daquele que em tese deveria se doar para o bem coletivo, um tema ainda vive e vem ganhando espaço: A NECESSIDADE DE TERMOS GESTORES PÚBLICOS EMPREENDEDORES.

Não quero aqui reduzir um tema tão complexo à uma simples questão, mas, o que já se sabe é que precisamos ser menos complexos, mais leves, com menos gordura e menor peso, para sermos mais eficientes. Isso é uma verdade no mundo empresarial privado e também na gestão pública.

Um gestor de uma empresa precisa saber fazer uma conta simples para iniciar o processo: Faturar mais do que custa. A diferença entre essas duas contas é o lucro (fundamental e necessário para sustentar o crescimento da empresa e remunerar o capital que foi investido). É do lucro que vem o dinheiro para comprar novas máquinas, fazer novos investimentos e pagar os financiamentos junto aos bancos.

No setor público não se fala em lucro, mas a conta é a mesma: a diferença entre o que arrecada e o que se gasta é a sobra (chamado de superávit). É dela que o gestor público irá se valer para investir em obras e infraestrutura que permitirão as cidades, o estado e o país crescer.

Se essa lógica é simples, executá-la, não é nem um pouco. A gestão pública é obesa e tem predisposição para engordar, quer seja pelas novas leis que impõem ao estado mais responsabilidades, quer seja pela falta de tecnologia aplicada à gestão ou ainda, pelo excesso de burocracia. A falta de tecnologia gera a necessidade de contratação de sempre mais pessoas para fazer as novas obrigações. Além disso, as novas obrigações não geram necessariamente novas receitas.

Dessa forma, gerenciar custos e processos tal qual se faz em uma empresa privada se torna fundamental para um gestor público. Nasce aqui outro entrave: na empresa você pode demitir, contratar e premiar baseado na eficiência e eficácia. No público, os direitos adquiridos e a estabilidade funcional dá ao gestor público pouca margem de manobra. Nasce então a necessidade de Gestores Empreendedores, capazes de fazer “do limão uma limonada”.

Apesar de todo o escândalo nacional de corrupção na esfera federal, moramos é no município. E nos municípios, questões como corrupção, desmandos, favoritismos, bairrismos e ineficiência de gestão, se forem somados, gerarão rombos muito maiores que os “mensalões” e “petrolões”.

Por tudo isso, me desculpem se estou sendo preconceituoso, mas eu não acredito em políticos sem competência de gestão e sem uma veia empreendedora. A maioria dos candidatos adotam uma verdade falsa. A premissa de que os municípios, o estado ou a união tem dinheiro que dá para cumprir as suas promessas. Como pode um candidato prometer sem conhecer a gestão pública e seus números?

Na prática, os que prometem sem conhecer e que chegam ao poder, vão descobrir o tamanho da encrenca somente quando assumirem o mandato. E aí? O que fazer agora? Mudar o discurso? Dizer que não sabia?

Assim como o médico, o engenheiro, o advogado, o contador, o administrador… precisam de estudar muito para ser um bom profissional, um gestor público não pode ser somente um cara “gente boa” e “bem intencionado” para assumir uma gestão pública. Não dá!

Tenho neste momento um grande sonho: O dia em que as promessas de campanha e a condição para se candidatar fossem trocadas pela análise curricular, tal qual ocorre nas empresas. Mas, enquanto essa lei não vem (e dificilmente virá), nós podemos começar a votar usando esse critério, basta querer.

 

Bom fim de semana a todos!