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Gestão de pessoas e terceirização

* Por Marcos Fábio Gomes Ferreira

Essa semana respondo algumas indagações sobre a terceirização, de uma aluna do MBA em Liderança, Coaching e Gestão de Pessoas da Faculdade Pitágoras.

Há 10 anos Leciono a disciplina de Gestão Estratégica de Pessoas cujo principal objetivo é fazer com que os gestores de RH das empresas entendam que o maior desafio não é fazer a parte operacional da área de RH (recrutar e selecionar) e sim, alinhar as pessoas da empresa aos objetivos do negócio.

Esse desafio é tão grande que uma pesquisa da FGV aponta que somente 5% das pessoas que atuam no nível operacional compreendem a visão de futuro da empresa na qual trabalham. Se 95% não compreendem essa visão de futuro, como irão ajudar de fato a sua empresa a chegar lá?

Com o projeto de lei que regulamenta a terceirização no país (inclusive liberando a terceirização da atividade fim, que é o real negócio da empresa), nossa aluna Stéfane Simões tratou logo de colocar sua cabeça para pensar e dividiu comigo algumas de suas questões em relação ao tema. Após cada pergunta de nossa aluna, sigo com meu ponto de vista:

  1. Como ficaria o sentimento de "pertencer" dos trabalhadores que serão contratados por empresas terceirizadas? R: O sentimento de pertencer não está ligado necessariamente ao vínculo contratual com a empresa e sim, com a forma de tratamento dada ao trabalhador. Assim como um filho adotivo numa família, o trabalhador é um ser humano e que possui desejos de se relacionar de igual pra igual. A empresa contratante do terceirizado deverá dar tratamento igual em termos de regras, normas, estrutura (refeitórios, vestiários, etc.). A grande questão aqui são os salários e benefícios.

  2. Como seria o processo de se "alinhar" o objetivo estratégico entre as áreas da empresa? (penso que se já é complicado hoje e seria bem pior no possível contexto de fragmentação). R: Penso que a primeira resposta cabe aqui também. O processo de alinhamento não poderá separar funcionários diretos dos funcionários terceirizados. O que torna o processo difícil hoje não é a relação de vínculo e sim o real entendimento da empresa e do setor de RH da importância de se realizar ações efetivas de alinhamento de pessoas ao negócio. Hoje, essas ações tem orçamento curto e não é vista como estratégica.

  3. Em relação à liderança, como iria fluir a comunicação entre os setores? A quem eles estariam subordinados? Ou seja: como seria um organograma de uma empresa que possuísse dentro de si outras tantas empresas? R: eles estariam subordinados à empresa contratante da terceirização, devendo seguir suas regras e normas. O que muda, é que toda vez que um funcionário terceirizado descumprir alguma regra, a contratante do serviço irá comunicar à empresa terceirizada que, por sua vez, irá aplicar medidas corretivas ou punitivas.

Penso que todas as questões abordadas por nossa aluna são muito, mas muito pertinentes. O que precisamos entender é que as empresas estão sempre mudando e buscando novas formas de melhorar a sua competitividade. O grande desafio é a adaptação ao novo. Seguramente, penso que está na hora das faculdades e dos especialistas em RH se adaptarem para quem sabe criar a disciplina de Gestão Estratégica de Terceirizações e assim, estudar, entender e solucionar as demandas desse novo desafio.

 

Bom fim de semana a todos!